terça-feira, abril 08, 2008

Linhas


- Se tu soubesses como me senti não olharias nem falarias assim comigo - disse com água nos olhos.

- Desculpa. Também me fizeste sofrer e agora não encontro o caminho para casa. Dás-me a tua mão? - perguntou com um olhar frio.

- Fiquei sem mãos para te segurar. Perdi-as enquanto corria atrás de ti. Nem reparaste que te queria e te seguia.

- Desculpa. Posso fazer uma coisa... Vou esculpir umas mãos para ti... Ainda sei como eram as tuas mãos quando tocavam nas minhas. parece que as sinto.

- Obrigada.

- Depois disso... prometes que me ajudas a voltar para casa?

- Sim. Enquanto arranjas as minhas mãos vou coser-te o coração...

- Tens linha suficiente para o coser?

- Sim. Tem é de ser linha preta... De que cor é o teu coração?

- Vermelho.

- Já gastei a linha vermelha... agora só tenho preta e verde. A linha verde é para o meu coração. Às vezes tento cosê-lo mas é tão difícil.

- Então fazemos assim... Dás-me um pouco de linha verde não vás precisar que eu te cosa durante o nosso regresso a casa.

- Ah ah ah ah. Deve ficar um belo remendo!

5 comentários:

Pedro Branco disse...

Prende-me o olhar e verás quanto tudo se torna cruel. Cada pedaço de memória por entre os dedos. Cada sopro de desejo perdido no refelxo das lágrimas de te ver. Prende-me o olhar de novo. Para que consiga abrir-te a janela...

Boop' disse...

O bom desta história é que está lá alguém, a quem pedir, a quem dizer que falhou, de quem esperar que seja capaz de fazer diferente, a quem entregar mãos e coração, mesmo que feridos e magoados...

.. digo eu...

Carraça disse...

Este texto é muito bonito!

Bjs

as velas ardem ate ao fim disse...

Este texto é uma delicia!Amei.

bjo

Barqueira disse...

:)

Magnífico diálogo.

Parabéns.